Pioneira do rock nacional, Rita Lee, sexagenária, anunciou que não fará mais shows. O de sábado passado, em Aracaju (SE), teria sido o último. Fã da cantora, desde criança, tive um pretexto para tratar do diálogo com a cultura e a arte.

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Ao pensar em escrever sobre Rita Lee, logo me autocensurei. Afinal, que atrevimento esse de prestigiar a rainha do rock num Blog hospedado num site de igreja evangélica? Logo a cantora irreverente que se envolveu com drogas, ícone de uma geração liberal e desafiadora (no último show, xingou policiais e teve que ser detida). Ela mesma, que viveu o desbunde, o deboche e outros excessos da época. Ora, mas se um dos propósitos deste espaço é justamente dialogar com nosso contexto, como escapar do desafio?
Não vou falar da artista como o faria um crítico musical. Nem recorrer a sites para detalhar sua vida e carreira, ou discorrer sobre sua contribuição ao rock nacional e à própria MPB. Nada disso. Escrevo como fã.
Eu tinha 8, quase 9 anos, quando a vi num programa de TV. Fiquei encantado com Ovelha Negra, letra, melodia e mesmo com a figura de Rita. Passei a segui-la. Maneira de falar. Não comprava revista ou jornal por causa dela, muito menos seus LPs (os CDs de outrora) ou K-7, nem ia a shows (fui vê-la, uma única vez, já aqui em Brasília, pai de família, em 1998, no Nilson Nelson, bacana por sinal). Considerava-me sortudo quando conseguia ouvi-la no rádio ou vê-la na TV. Restava-me conversar com colegas sobre as últimas da artista. E era só.
Apreciava seu jeito sapeca, irreverente, as baladas gostosas, bem transadas (“Jardins da Babilônia”,”Mutante”, “Banho de espuma”, “Saúde”), o uso simples, irônico e divertido que fazia de rimas (“Minha saúde não é de ferro não, mas meus nervos são de aço, pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho, eu mesma faço”…), trocadilhos (“Se a Deborah Kerr que o Gregory Peck…)” e a sonoridade das palavras (“Desde o Oiapoque até Nova Iorque se sabe que o mundo é dos que sonham que toda lenda é pura verdade”), e pelo emprego formidável de expressões do espanhol (“el cuerpo caliente”),  italiano (“dolce far niente”), francês (“Un rendez-vous chez nous”) e inglês (“on the rocks”) – numa colagem sempre muito criativa.
Quando ouvia – no meu (quase)gueto evangélico – admoestações sobre influência do mundo, de mensagens subliminares perniciosas, isso não me levava a rejeitar minha afinação com a cantora. Esse entendimento estava claro pra mim. Afinal, não a apreciava por sua ideologia, filosofia de vida ou apologia de qualquer daquelas ideias muito em voga nos idos de 1960 e 70. No fim das contas, é questão de gosto. Pobre, dirão alguns. Que seja…
Hoje, num rápido exercício de autoanálise, chego à conclusão que minha curtição de Ritinha Lee ajudou-me na autoafirmação. O garoto certinho, cumpridor de deveres, quase um “nerd” na escola e militante a toda prova na Igreja e fora dela, enfim, curtia algo fora de um script, digamos, mais ortodoxo ou previsível. Ela me ajudou. Não obstante ideias e opções das quais discordava antes como agora, isso não me impede de nutrir uma simpatia pela artista a quem Caetano Veloso se referiu como a mais completa tradução da cidade de São Paulo.
Resumo da ópera, ou melhor do rock: podemos distinguir entre a arte e a estética, tão necessárias, e enfoques outros, acessórios dispensáveis. Quando apreciamos artistas e sua arte temos a chance maravilhosa de dialogarmos, de testarmos nossos sentimentos e convicções, aferindo se estamos certos quanto ao rumo e ao ritmo em que seguimos na vida.

De 27 de julho a 12 de agosto deste ano, a capital britânica sediará pela terceira vez as Olimpíadas (as outras foram em 1908 e 1948). Será mais uma daquelas raras oportunidades de congraçamento dos povos, de exaltação das virtudes da prática desportiva, da juventude, força, velocidade, arte e habilidades mil, e da competição saudável. Mas antes disso, um outro evento mundial ocorrerá aqui no Brasil e, espera-se, com grande impacto sobre o futuro do planeta. É a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

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A Rio +20 vem justamente vinte anos depois da famosa Eco 92, tendo vinculação direta com a mesma. Como é sabido, eventos como esses reúnem chefes de estado e de governo e representantes do primeiro escalão dos países mais poderosos do mundo. De 20 a 22 de junho, a Cúpula pretende “assegurar um comprometimento político renovado para o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, além de abordar os novos desafios emergentes”.
E com quantos desafios e mudanças não fomos atingidos nesses últimos 20 anos? Em 1992, o mundo ainda se acomodava com as alterações políticas trazidas pela derrocada do comunismo no leste europeu, o colapso da União Soviética, a reunificação alemã, o fim do apartheid na África do Sul e o surgimento esplendoroso da União Europeia. A onda neoliberal, impulsionada na década anterior, vivia seu apogeu. Uma maré conservadora dava o tom nos países latino-americanos, inclusive no Brasil. Era um mundo sem telefonia móvel, pré-internet, com a informática nos primórdios da revolução que iria mudar a economia, a política e as relações humanas e sociais alguns anos depois. O Brasil conheceu ali a força das ONGs, ficando evidente que governo nenhum poderia prescindir delas sob pena de comprometer a própria gestão pública.
Hoje, as cúpulas do tipo G-7 e G-8 mostram-se esgotadas, o G-20 ganha peso bem como a necessidade de se reformular o Conselho de Segurança da ONU. A primavera árabe recentemente fez surgir a sociedade civil como ator de peso em países governados por longevas ditaduras. Das dez maiores economias do mundo hoje, quatro são de países emergentes, estando a China em 2º lugar e o Brasil em 6º.
De um modo geral, o mundo parece menos otimista hoje do que há 20 anos. Uma séria crise econômica castiga-nos há mais de três anos. A União Europeia está à beira de um abismo. E a democracia vive mais uma de suas crises na maioria dos países que a adotam – a crise da representação política justa e equilibrada. Afora isso e agravando tudo isso, temos a crise ambiental: a população mundial com 7 bilhões de bocas para alimentar, numa desigualdade atroz que leva um terço dessas pessoas a comerem, beberem e usufruírem da produção aquém de suas necessidades básicas enquanto parcela bem menor consome demais e mesmo desperdiça comida, bebida e energia.
Falando nisso, a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata a presidente Marina Silva analisou a atual conjuntura em artigo para a revista Ultimato (jan.fev., p.35), sob o título Crise civilizatória. Não se limitou a considerações ambientais ou políticas e recuperou a mensagem bíblica com clareza e autoridade. Encerro aqui com as pérolas com que nos brinda a profetisa do meio ambiente: “Nossos processos produtivos desconhecem a inteligência sistêmica de Deus e exploram os bens materiais do planeta até seu esgotamento (…) é importante propiciar o necessário encontro entre política e ética, economia e ecologia e, para os que crêem no propósito restaurador da obra de Deus, do homem com Deus, consigo mesmo, com os outros homens e com a criação.” Tá falado!

Para certos assuntos e situações, a maioria de nós costuma ter uma curiosidade mórbida, crônica, contumaz. Sabe-se o quanto a fofoca prolifera nos diversos contextos sociais. Saliento essa característica bastante comum da natureza humana – a avidez por fatos, boatos e rumores sobre a vida dos outros – para falarmos brevemente de situação ocorrida no mais badalado reality show da TV brasileira. O incidente tornou-se, de uma hora pra outra, assunto dos mais comentados nas redes sociais, na mídia, pelas pessoas nas ruas e por instituições públicas.

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Após uma festa, dois participantes do programa excedem-se na bebida, vão para a cama, trocam carícias sob o edredom, oferecendo-se ao voyeurismo de quem os assiste pelo canal pay per view e se alimenta dos episódios que eles e elas protagonizam. As cenas vão parar na internet. E uma suspeita começa a se firmar: a moça, de tão embriagada, estaria dormindo durante o ato. Sem condições de poder consentir, estaria, portanto, sendo vítima de violência sexual.
Recorre-se ao juridiquês. A polícia, diante do grande apelo público, teve uma agilidade que não costuma ter em casos de estupro que afetam vítimas sem muitos recursos. Uma parte da sociedade, já farta desse tipo de programa, também gasta tempo criticando-o e à TV que o promove.
Enquanto isso, por alguns dias, perdem espaço no noticiário: o desperdício de dinheiro público com a infraestrutura destinada a preparar as cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014, o julgamento do mandante e dos assassinos da ex-deputada federal alagoana Ceci Cunha e três familiares dela, crime ocorrido há 13 anos em Maceió, o tratamento político-policial dos dependentes químicos e moradores de rua da região da Cracolândia na capital paulista etc.
Sem contar esse caso tão grotesco, o fato é que durante semanas, o Big Brother Brasil – um programa artificial em que prevalecem banalidades e superficialidades – prende a atenção de milhões de pessoas de todos os estratos sociais. A ele são dedicados preciosos minutos diários no horário nobre, outros tantos ao longo da programação. Como se não bastasse, existe ainda um canal exclusivo com 24 horas de transmissão ao vivo para aqueles dispostos a pagar pelo serviço. Os participantes são escolhidos a dedo. Garante-se espaço à população afro (no mesmo percentual não da sociedade brasileira e sim da norte-americana, 10 a 12% do conjunto), e também a gays e lésbicas. Prevalecem (numa média superior à da população) pessoas jovens, com corpo sarado, esbanjando saúde. Não há espaço para pessoas com deficiência e outros segmentos da sociedade. Sem uma trama textual autoral, os participantes improvisam, jogam a si mesmos, exibindo-se, seduzindo o público com diversas habilidades, vencendo provas e votações, todos em busca do prêmio em dinheiro e de oportunidades na mídia após o término do programa.
Não vou entrar no debate sobre o suposto crime havido na versão 2012 do Big Brother. Entendo que desde sua estréia em 2002, o programa é um desserviço que a TV aberta – concessão do poder público – presta à sociedade brasileira. Num país carente de entretenimento saudável e gratuito, de eventos e programas culturais educativos que priorizem a regionalização e a democratização da informação, a emissora de maior audiência confina homens e mulheres num recinto reservado e ao mesmo tempo devassável, projetando-lhes anseios e expectativas, sem conteúdo outro que não o de personalidades voltadas para a alta exposição, vaidade e ambições. Há exceções? Por certo. Mas, diante de tanto investimento no escândalo e na fofoca – garantidores dos melhores índices de audiência e de retorno publicitário – não serão as virtudes do equilíbrio, companheirismo, recato e solidariedade as que vão prevalecer. Não sendo o Big Brother invenção da TV brasileira, reconheçamos que aqui caiu como uma luva para promover a perspectiva de insensatez e vulgaridade desse genial meio de comunicação.

A encarnação é um dos aspectos mais significativos na mensagem do evangelho. Deus torna-se homem, vive entre os mais humildes, sente na pele carências e dramas próprios da condição humana. A propósito…

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Na minha caminhada, passei a valorizar, talvez em demasia, a exclusão, vista da perspectiva do coletivo, dos grupos sociais à margem da sociedade controlada pelo consenso das elites. Essa visão, embebida em valores como fraternidade, solidariedade e misericórdia vem nos lembrar que o evangelho tem a ver com inclusão e com a quebra de preconceitos, discriminações e outras barreiras. Ultimamente, sem deixar de lado aquela – mas recuperando a boa tradição em que fui criado – passei a valorizar também a perspectiva que se preocupa com o drama de pessoas isoladamente, sem vinculação direta com o pertencimento a um grupo social excluído, gente que se sente apartada, carente de um algo mais.

Ora, é possível encontrar no empresário rico e prestigiado, na mulher linda, independente e abastada, no político poderoso e carismático, nas pessoas da elite, de um modo geral, alguém necessitado e mesmo excluído de uma mesa farta de amor, paz e harmonia. Pessoas assim podem se iludir – e é muito comum isso ocorrer – com o respaldo que a riqueza, juventude, beleza, poder e prestígio propiciam. Mas há aqueles que acabam chegando à consciência de que isso não basta. Daí a encontrar propósito e alegria na vida vai uma distância bem grande. Muitos buscam realizar-se no que consideram boas causas – sejam essas propiciadas pela religião, filantropia ou mesmo pela política – e alguns parecem que se encontram nesse caminho. Outros, mais trágicos, seguem pelas veredas nada alternativas da dependência química, do sexo e prazeres sem limites, dos relacionamentos envenenados. Há quem acabe sucumbindo à depressão ou a doenças psicossomáticas.

Vivemos dias difíceis, de conjuntura complexa. O cristianismo visível parece-nos sem aquele brilho de outrora. As culturas vão sendo colonizadas por um espírito materialista, consumista e hedonista. Frente a essas situações, o evangelho tem algo a dizer. E o evangelho bíblico não é uma síntese doutrinária, um conjunto de princípios de boa conduta. É antes o relacionamento íntimo e verdadeiro com o Criador e sustentador de nossas vidas. Sou daqueles que acreditam na especificidade do evangelho, na sua essência pura e inigualável, tão necessária a um mundo que apodrece em valores inócuos.

Temos desafios seriíssimos (não exatamente novos) e relevantes, hoje mais que nunca: abandonarmos projetos utópicos esvaziados, vivermos o evangelho para além das condicionantes de nossa religião, pensarmos o Reino pela essencialidade da mensagem de amor e reconciliação pregada pelo Homem de Nazaré, entre outros.

Quanto a mim, frequentemente sinto o peso e impacto de uma dose forte de cansaço, desilusão e apatia na minha forma de viver a fé, nos parâmetros do pertencimento à comunidade evangélica. Falta-me paixão, ou como se diz no reduto, fervor. Felizmente, volta e meia, também sou visitado por eflúvios maravilhosos da graça de Deus e recordo aquela passagem da Carta aos Hebreus (10: 39) – um texto que já me “salvou” diversas vezes em momentos de crise: Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma. A permanência, com amor, compromisso e esperança, nessa trilha, é graça. Mais não vou dizer, nem preciso.

Erramos: Corrigimos aqui a nota Sete quedas – nenhuma novidade do post da semana passada. Sete ministros deixaram o governo Dilma, mas apenas seis, por suspeita de corrupção. Como se sabe, o ex-ministro Nelson Jobim saiu por outros motivos. O reparo, portanto, é uma questão de justiça, embora não altere o teor da nota.

Em tempo: Saio de férias por esses dias. Regresso em meados de janeiro. Mas firmo o compromisso – dia 21, texto novo no Blog, se Deus quiser.

Não me proponho a fazer uma retrospectiva. É demais para este espaço. Pontuo apenas alguns contextos trazidos pelo ano de 2011 ao Brasil e ao mundo que tiveram grande repercussão e que geraram e ainda vão gerar desdobramentos.

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O Supremo lança a boia: Ao invalidar a aplicação da Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010, o STF preservou um princípio do direito eleitoral no Brasil: mudança só pode valer para a próxima eleição, se respeitada antecedência mínima de um ano. A maioria dos políticos favorecidos talvez não mereça, mas melhor que isso é não termos leis casuísticas. Já ao julgar pelo legalidade da união entre pessoas do mesmo sexo, o STF adiantou-se aos demais Poderes e à maioria da população, que rejeita o casamento gay. Nos dois casos, segmentos minoritários encontraram respaldo no Supremo. Julgou certo a Corte Suprema? Com as devidas ressalvas, acredito que sim.

Sete quedas – nenhuma novidade: O Governo Dilma não havia completado seis meses quando o primeiro deles, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, caiu. E faltavam menos de 30 dias pra acabar o ano quando veio a queda do sétimo. Corrupção, enriquecimento ilícito, improbidade, falta de transparência ou de zelo para com a coisa pública – os sete ministros incorreram num, ou mais desses problemas. É de se comemorar a cobrança da sociedade e o resultado consequente, mas de se lamentar tanto a tese falsa de que o PT inventou o descalabro ético quanto a triste certeza de que casos semelhantes vão se repetir mais dia menos dia. Falta ainda um enfrentamento sério dessa questão.

Dramas sociais e responsabilidade do Estado: Em 2011 como em anos anteriores, intempéries levaram destruição e morte a vários recantos do país. O Brasil que se habilita a sediar grandes eventos mundiais não sabe se prevenir. Mortalidade alta por doenças curáveis, taxas altas de morte violenta e a presença do crack destruidor nas vias públicas dizimando o melhor da nação. Nesses quesitos, nota mínima para nós este ano.

Países árabes na vanguarda: O mundo constatou em 2011 que anseios por liberdade e democracia não são exclusividade ocidental. No norte da África e no Oriente Médio, a sociedade se mobilizou, mesmo sendo reprimida com violência. Regimes antigos caíram na Tunísia, no Egito, na Líbia, no Iêmen ou, em outros países, foram obrigados ou fortemente pressionados a adotar sérias mudanças.

Os estudantes voltam às ruas: O contexto é outro, mas a comparação com os eventos de 1968 é inevitável. No Chile, nos EUA, na Inglaterra, Espanha e outros países europeus (sem falar nos árabes), estudantes foram às ruas para protestar e acampar. Fizeram política com P maiúscula, sem viés partidário. Exigem mudanças na administração e na economia, que as autoridades ouçam o povo e que este tenha vez nas decisões e nos lucros.

3 anos depois, a crise se agrava: Longe de arrefecer, a crise econômica mundial teve em 2011 seguramente o seu pior ano – até o momento. Países europeus mostram-se insolventes: Grécia, Itália, Espanha, Irlanda. Desemprego em alta. Nos EUA, a economia e a política seguem moribundas e o presidente Obama em três anos não disse a que veio. No Brasil, a coisa poderia estar pior, mas por ora estamos em marcha lenta, com desemprego suportável, mas queda na produção industrial.

É essa a história que as novas gerações vão encontrar nos livros escolares daqui a alguns anos. Estamos tendo o privilégio e a responsabilidade de vivê-la. Com 2012 às portas, resta-nos agradecer a Deus por mais uma oportunidade e pedir força e discernimento para enfrentar mais um ano.

Em tempo: Num ano de tantos protestos e mobilização, a revista Time escolheu para personalidade do ano, o manifestante, assim mesmo, anônimo.

Na canção Que nem jiló, o compositor e sanfoneiro Luiz Gonzaga comparou a saudade da pessoa amada ao amargor do jiló – aquele fruto (não é legume) muito apreciado no Brasil, sobretudo quando cozido com feijão. Naquele forró, Gonzagão receita a cantoria como remédio pra saudade que faz roer. Cá não vou falar da saudade, mas dos embates e situações da vida em que sentimos na alma um gosto amargo. E agora, José?

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A depender do temperamento, da intensidade e do contexto, experiências fortes de perda, de frustração e desilusão fazem adoecer a alma. No dia a dia convivemos com visões bastante simplistas em relação a isso, como a que reforça absurdamente a responsabilidade individual pelo advento das crises.

Há quem se gabe de não passar por tragédias, dramas ou vicissitudes outras ou mesmo de, em enfrentando-as, não se deixar abater por elas. Há quem as espiritualize em demasia, outros ainda não conseguem enxergar a mão de Deus em meio aos infortúnios como se fosse possível a Deus abandonar aqueles a quem ama.

Recordando minhas leituras, palestras e encontros de que participei e testemunhos tantos que já ouvi, ouso elencar alguns pontos para nossa reflexão. Peço perdão por não dar o devido crédito por contribuições que vão aqui, não ipsis litteris, mas nas entrelinhas. Mesmo que quisesse, difícil é lembrar onde, ou melhor, em quem me inspirei para os tópicos a seguir. Então, vamos a eles:

(1) Os personagens bíblicos, entre eles o próprio Jesus, enfrentaram adversidades como as que enfrentamos hoje (1ª. Pd. 5:9). O relato sagrado não romanceia nem mesmo as biografias dos grandes líderes.

(2) Perspectivas equivocadas sobre a relação do cristão com o sofrimento têm base sobretudo em correntes heréticas e, por conseguinte, em um conhecimento bíblico deficiente.

(3) Entre as bem-aventuranças citadas por Cristo estão o chorar, o ser perseguido por causa da justiça e o ser injuriado, perseguido e caluniado (Mt.5: 1-12) – perspectivas que não costumam ser almejadas por ninguém.

(4) Adversidades e infortúnios podem nos trazer muitos males e machucar o coração, mas não há chance de nos deixarem sem que, ao final, não tenham nos enriquecido (Rm. 8: 28).

(5) O reconhecimento do senhorio de Cristo e da soberania de Deus devem nos embasar para não murmurarmos, nem perdermos tempo com o adversário, nem sermos ingratos. Sempre estamos no lucro, mas nunca seremos credores de Deus (Rm. 8: 37; 11: 35).

(6) A analogia com as delícias do paladar fornece uma excelente figura: nosso corpo aprecia e também requer diversidade de sabores e preparos: frios, quentes, macios, crocantes, doces, temperados com sal, apimentados, cítricos e também amargos (olha o jiló aí…).

(7) Nosso paladar varia com a faixa etária, muda conforme as horas do dia, o clima, o estado de espírito, o contexto de vida, meio ambiente… Assim também nosso ânimo, contextos e experiências da caminhada.

(8) Um dos subprodutos das turbulências da vida pode ser, justamente, o alerta para treinarmos nossos corações no exercício da dependência divina.

(9) Tentarmos controlar os outros e as circunstâncias da nossa história pode ser um mau sinal: de que, no fim das contas, não contamos com Deus para estar conosco no barco da vida em meio à tempestade.

(10) A busca de uma intimidade com Deus deve nos encorajar e nos servir de âncora em meio às pressões da vida. Ao procurarmos entrar na presença do Eterno sinalizamos o que efetivamente vai em nossa mente.

No mais, é prosseguir, atendendo ao chamado que nosso Pai nos lança a cada dia, a despeito das crises.

O ambiente em si muda constantemente. Vai do silêncio eloquente à agitação de muitas vozes e ruídos diversos, da sossegada pouca luz ao clarão arrasador dos holofotes, do princípio de calor sufocante ao frio desconfortável. É assim meu local de trabalho há coisa de dois anos e meio, em especial nos dias de terça, quarta e quinta – um estúdio de televisão. Mas, sem me importar tanto com as condições acima, pessoas são meu foco. Nessa interação, saio no lucro. Eis o pretexto para falar de um colega que tem enriquecido minha vida.

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Comecei a trabalhar ainda adolescente quando 17 era minha conta. Primeiro, dei aulas de inglês. Ainda professor, fui empregado no jornal O Imparcial, como revisor. Foi meu ingresso no mundo do jornalismo. Contando com esses dois, já vivi em pelo menos dez contextos de trabalho – alguns por longos anos; outros por menos de 12 meses; alguns, como free-lancer; outros, como estatutário ou com carteira assinada. Em alguns, convivi com poucos profissionais; em outros, com uma penca de colegas. Em quase todos, estava envolvido por ambientes de muita conversa, barulho, agitação.

Sei o que é debater ideias diferentes, discordar, divergir; sei o que é batalhar um consenso. Tenho lidado com tantas diferenças de temperamento, de jeito de ser que só vendo. Mas apesar dessa experiência – que já soma mais de 20 anos – volta e meia sou surpreendido por peculiaridades que vão marcando nossos contextos de trabalho. São pessoas que Deus põe em nosso caminho para acrescentar a nossa vida.

Na TV Senado, uma dessas pessoas é o camera man Toni Claussen. Embora já convivêssemos desde meus primeiros anos ali, foi só de 2009 para cá, quando passei a comandar as entradas ao vivo pela manhã, que passamos a interagir com mais frequência. Posso falar dele como ser humano e como profissional. Começo por esta última faceta. O Toni é um camera competente, responsável e bem-humorado. Tudo o que um apresentador poderia pleitear. Não se restringe aos limites do exercício profissional. Vai além. Não deixa que me falte um copo d’água, zela por minha imagem (ajeita a gravata, alerta-me quanto a olhos vermelhos, cabelo em desalinho ou alguma anormalidade no terno). A segundos de entrar ao vivo, corrige minha postura e dispara comandos como: Atenção! Postura! Sorriso! Tudo isso regado a brincadeiras que desanuviam a tensão própria desse tipo de trabalho e ao compartilhar de histórias, causos e pequenos lanches – que ninguém é de ferro.

Em entradas ao vivo, nem sempre as coisas saem como queremos. Quando isso acontece é o Toni quem me lembra que o vexame passa, que, da próxima vez, dará tudo certo. Nem precisava, seu semblante transmite serenidade, solidariedade e estímulo.

Como ser humano, quase toda a TV fala bem dele. Quem não o faz, realmente não o conhece. Tem uma vida ordeira, sem vícios, nem dívidas. Vive para a esposa e o filho, a igreja e o trabalho. Toni é evangélico. Claro que isso não explica tudo. É certo que a experiência que teve com Deus deu-lhe um rumo à vida, mas muito do que ele faz e segue já eram, como dádivas divinas, marcas de sua caminhada antes mesmo de participar de uma comunidade de fé.  Toni faz-se amigo, conquista as pessoas, sabe ouvi-las e testemunha sobre o evangelho e o amor de Deus. De baixa estatura, este brasileiro de ascendência germânica é, no entanto, homem de elevada grandeza moral. Para ele, que começou a trabalhar como DJ, embalando festas, a vida agora está mais sossegada. E ele, muito satisfeito assim.

A provocação me veio por um e-mail enviado pelo primo Agildo. O texto e fotos de maquetes destacavam os novos estádios que vão sediar a Copa do Mundo de 2014. Depois, fotos de nossa sofrida periferia mostravam a precariedade das escolas públicas e do sistema de saúde. A mensagem termina conclamando os brasileiros a exercerem melhor o voto. Que temos pela frente?

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Segundo o Tribunal de Contas da União (O TCU e a Copa do Mundo de 2014, da relatoria do ministro Valmir Campelo, maio 2011), o Brasil deve investir mais de 23 bilhões de reais em infraestrutura em função da Copa. Desse montante, apenas 1,44% virá da iniciativa privada. Tudo o mais é recurso público.

É inegável que ganhamos com um evento dessa magnitude. Um aspecto é o reforço que a seleção brasileira de futebol traz à autoestima do povo, desde que encerre com vitória a campanha. Há outros ganhos: geração de empregos diretos e indiretos já, e pelos próximos três anos; investimentos estrangeiros no país e inúmeras oportunidades de negócios e parcerias. É uma chance que não se pode desperdiçar.

Difícil de aceitar é por quê o país – uma das maiores economias do mundo e uma potência, no mundo dos esportes (não apenas no futebol) e no circuito dos grandes eventos – nunca fez seu dever de casa em itens como educação, saúde e segurança pública.

Falando especificamente de educação, o Brasil foge à regra dos emergentes. Os demais países com economia robusta fizeram pesados investimentos em alfabetização e ensino básico. Já na década de 1920 – marcada por agitação política e por anseios de construção de uma sociedade moderna – era grande o clamor entre nós pelo fim do analfabetismo e pela universalização da escola pública.

Há anos, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tem empunhado as bandeiras da universalização do ensino, dos altos investimentos no sistema e na remuneração dos profissionais da área e da educação pública de qualidade. Seu compromisso e denodo recordam-nos o trabalho grandioso do ex-senador João Calmon nas últimas décadas do século passado.

O economista pernambucano, em segundo mandato no Senado, foi o primeiro a ocupar a pasta da educação no governo Lula. Ficou no cargo por  um ano. Consta que tentou, de várias maneiras, fugir ao receituário rígido da equipe econômica. Argumentou, reclamou, usou da criatividade para apontar desafios, impasses e fragilidades da administração de então no quesito ensino público. Foi demitido na primeira reforma ministerial, em janeiro de 2003. Em 2006, como candidato a presidente, impressionou o país com seu discurso em prol da educação.

Cristovam acaba de lançar o livro A revolução republicana na educação; ensino de qualidade para todos (Ed. Moderna, 143p). Indignado pelo fato de sermos “o primeiro em futebol e o 88º em educação”, o autor apresenta 22 propostas para mudar radicalmente a cara do ensino público. Entre elas, transferir para o Governo Federal a responsabilidade pela educação de base; criar a carreira nacional do magistério e adotar um programa – Cidade com Escola Básica Ideal – que seria implantado em todo o país num prazo de 20 anos, começando no primeiro, com 200 cidades.

Ele aponta caminhos e possibilidades para tal revolução. Mostra por A mais B onde buscar dinheiro e como bem aplicá-lo para termos um sistema de ensino competente e à altura dos desafios que o Brasil tem pela frente.

Acredito que a Copa de 2014 é um grande negócio para o Brasil – para uns mais do que para a maioria. Mas resolver os gargalos nacionais é de urgência e consequências maiores. Oferecer ensino público de qualidade para toda criança, garantir a permanência dos alunos em sala de aula e conquistar profissionalismo e prestígio para professores e funcionários das escolas – eis um dos gargalos. Que a pregação do senador Cristovam renda frutos, e já.

“Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.” Eis o Artigo 68 das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 88. São passados 23 anos da promulgação da Lei maior. O Brasil avançou, na legislação, em muitos aspectos: na proteção a crianças e adolescentes, aos idosos, às pessoas com deficiência, ao consumidor, etc. Mas taí um dispositivo que o país não leva a sério.

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Dados da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e da Fundação Palmares informam que pode chegar a 5 mil o número de territórios quilombolas – compreendidos aqui desde locais em que afrodescendentes se refugiaram, escapando da escravidão e de maus tratos, até lugares onde se fixaram quando a Lei os libertou e os entregou à própria sorte. Desse total, já foram mapeados 3.524, dos quais somente 120 foram titulados. Ou seja, em 23 anos, o Estado brasileiro só deu conta de cumprir o dispositivo constitucional em pouco mais de 3% das áreas já mapeadas.

Especialistas, chamados a opinar, poderiam apontar como causas dessa omissão, desde a falta de vontade política à pouca estrutura dos órgãos públicos encarregados da tarefa. Tudo pode ser dito, mas no mérito e na margem dessas causas estará sempre o racismo institucionalizado que nos formatou e nos reproduz a cada geração. Não bastasse o fato de que titular os territórios quilombolas não é prioridade urgente de uma das maiores economias do mundo, um partido político, o DEM, resolveu contestar o decreto de 2003 que regulamentou o processo. Sobre isso, cabe ao Supremo Tribunal Federal pronunciar-se.

Os quilombolas têm pressa, com justa razão. Se pouco fosse levar em conta a dívida histórica do Estado e da sociedade para com os afrodescendentes, há ameaças de peso à sobrevivência das comunidades. Fazendeiros, posseiros, especuladores estão de olho em muitas dessas áreas. São interesses do agronegócio, das mineradoras, do setor imobiliário buscando tirar proveito de famílias empobrecidas, sem acesso à justiça e à mídia.

Na semana que ora se encerra, acompanhei pela TV Senado, as diligências da Comissão de Direitos Humanos no Rio Grande do Sul, na Assembleia Legislativa e no território quilombola de Morro Alto (pertencente aos municípios de Maquiné e Osório). A área foi doada, em testamento – cuja cópia pude conferir – a 24 ex-escravos de uma grande fazenda, pela proprietária, que não tinha herdeiros. Depois que ela morreu, os próprios parentes fizeram vista grossa ao desejo dela e ao documento e a área passou a ser negociada. Um ex-escravo, avô de um dos líderes atuais do quilombo chegou a comprar uma pequena porção de terra, como forma de se garantir. Atualmente, dos quase 50 mil hectares do quinhão original, somente cerca de 10% estão sendo reclamados pela comunidade quilombola. Mesmo essa pequena parte está sob forte disputa regada há mais de cem anos com violência, discriminações e constrangimentos diversos.

Chamados pela Comissão, presidida por um senador da base governista, o gaúcho Paulo Paim, representantes do Incra, Seppir, Procuradoria do Estado, Defensoria Pública e até da Presidência da República compareceram. Se a titulação parece irreversível; o momento exato dela é imprevisível.

Pequenos agricultores familiares não-quilombolas parecem conformados em se retirar com indenização ou em permanecer, com o consentimento da comunidade quilombola. Apesar do atentado ocorrido contra um líder negro há poucos dias, a conjuntura parece favorável a um desfecho que faça justiça aos quilombolas e preserve direitos adquiridos dos demais moradores. É a democracia brasileira em contínuo processo de construção.

Uma maré negativista – que tem na mídia a grande propulsora – enreda tantas vezes muitos de nós com o bombardeio de coisas ruins sobre a comunidade evangélica que parece que tudo o mais de belo e consistente que temos construído foi-se pelo ralo (nem sempre escapo, daí porque me incluo). É hora de resistir e de investir em outra perspectiva.

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Dou-me conta de repente que os evangélicos, em nosso amplo arco de denominações, temos contribuído de modo maravilhoso, aqui no Brasil, com uma série de iniciativas, movimentos e entidades que têm feito diferença nesse mundo caído e decadente. São hospitais, escolas, universidades, abrigos e instituições de assistência social. São as sociedades bíblicas, Gideões, APEC, movimentos de estudantes, Visão Mundial, Jocum, Asas de Socorro e outras tantas organizações que têm ajudado a minorar o sofrimento alheio e a dar um direcionamento a tantas pessoas sem rumo, diante das vicissitudes da vida.

Mas escândalos os mais diversos estão aí: são crimes ou pecados que mancham reputações de pessoas e instituições. Se não vale tapar o sol com a peneira, também não se pode cair na esparrela de que tá tudo perdido e que temos de procurar saídas à parte das instituições existentes. Chega de messianismo. É preciso trilhar caminhos já trilhados, fortalecer experiências positivas e reaprender (recuperar) o melhor de nossa tradição.

Ufanismo e soberba, de um lado, e pessimismo e desânimo, de outro. Para evitar esses extremos no meio evangélico, proponho alguns pontos pra reflexão: (1) Sendo o Reino de Deus abrangente e o Espírito livre, é preciso abrir mão de tomar o segmento evangélico como a forma última e definitiva de ser igreja (isso em geral não está nos cânones de nossas denominações, mas é esse, infelizmente, o sentimento de muitos de nós); (2) Os segmentos romano, ortodoxo, igrejas indepententes, protestantes, pentecostais devem ser vistos num esforço de imparcialidade, ao longo da linha do tempo e dos contextos em que surgiram e onde têm atuado; têm virtudes e defeitos, contribuições e mazelas; a opção por um deles não deve nos levar a negar a presença de Deus nos demais; (3) Nós protestantes/evangélicos temos uma caminhada de mais de 150 anos em solo brasileiro. Há uma contribuição consistente na sociedade: saúde, política, educação, trabalho, cultura, e na expansão do Reino: divulgação da Bíblia, do evangelho, de valores humanos.  (4) Reconheçamos também uma degenerescência no meio, ataques à ética e à moral, enganos, ilusão e superficialidade, projeto de busca e manutenção do poder (midiático e político, em especial); (5) Corrigir e disciplinar com seriedade, credibilidade e equilíbrio é um desafio, mas apostar numa instituição nova, com pretensa originalidade, é repetir o ciclo vicioso do protestantismo na base da cissiparidade, da dízima periódica (com o perdão pelo emprego de categorias de outros contextos), sendo esse um dos traços negativos de nosso segmento; (6) Mazelas, deslizes de líderes, vacilos diversos e percalços de nossas instituições não devem servir de pretexto para nos entregarmos ao desânimo e à indiferença. A fé, o chamado de Deus, o exercício vocacional e a comunhão devem motivar e alegrar nossa caminhada. Nada de errado que as igrejas façam pode mudar a natureza de Deus, ou Sua disposição de levar a cabo Seu projeto para elas e para o mundo através delas; (7) Serão nossos empreendimentos, gestos, atitudes e procedimento, dia após dia, que vão mostrar de que fonte bebemos, qual o quilate de nosso evangelho. Temos promessa de um juízo final que começará pela igreja, mas nada de antecipá-lo, ousando tomar para nós a prerrogativa de separar o joio do trigo. O desafio lançado está e não é de hoje.