Na semana que ora se encerra, a presidente Dilma Roussef completou cinco períodos de cem dias na Presidência da República. Estranha no ninho da política, a comandante tem surpreendido pela capacidade de se impor à própria legenda e a um consórcio de partidos ávidos por mais espaço no poder. Suas ações têm resultado em boa impressão dela e do governo junto à opinião pública.

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Pode não parecer, mas é bastante tempo. Sob o presidencialismo, João Goulart não chegou a tanto. Ficou pouco menos de 450 dias, derrubado que foi pelo golpe militar. Mas aí está a primeira presidente do Brasil aproximando-se da metade do mandato com altos índices de popularidade. No horizonte a médio prazo, as eleições municipais – o primeiro teste nas urnas do governo; as dificuldades com a crise econômica e os desgastes provocados pelo apetite da base aliada.

Abaixo, traço breve e despretensioso resumo:

Na economia, juros em queda, inflação controlada, mas crescimento tímido (considerando os contextos dos BRICS e latino-americano). Estamos no 6º. lugar das maiores economias do mundo (à frente do Reino Unido, sem que se possa garantir até quando o feito será mantido). O nível de emprego caiu no primeiro trimestre. Embora ainda não assuste, nesse quesito o país está atrás de Índia, Argentina, Peru e Turquia.

Na política, o governo tem colhido reveses e sobretudo vitórias. Mudou os líderes da base no Congresso, mas o desgaste foi contido e não chegou a haver um desastre na esteira das mudanças. A reforma do Código Florestal mostrou a força da dissidência de ocasião, capitaneada pela banca ruralista. Por sua vez, boa parte da sociedade pressiona para que a presidente vete as mudanças feitas pelos deputados que desfizeram o arranjo conseguido no Senado. PT e PMDB prosseguem luta renhida nos bastidores para fazer as prefeituras das capitais e cidades mais importante, disputando a cabeça de chapa com os  demais partidos da base. A temporada de mudança nos ministérios foi encerrada imprimindo um caráter mais técnico e menos politiqueiro à gestão.

No âmbito das relações exteriores, a ausência de carisma da presidente é compensada pela abertura mundial ao estilo feminino de governar e pelo prestígio do Brasil que não declina em razão mesmo da conjuntura mundial ainda bastante favorável aos emergentes.

No geral, Dilma permanece comedida nas aparições públicas, nos discursos, no contato com a imprensa. Já com auxiliares ou políticos que frequentam a Corte, tem se mostrado bastante dura, ríspida, muitas vezes. A falta de cortesia gerou problema com o governador do Ceará. Este a enfrentou mostrando que é detentor, assim como ela, de autoridade conferida pelas urnas. Outra situação constrangedora – desta feita em Cartagena, na Colômbia, durante a Cúpula das Américas – gerou um incidente diplomático com a embaixadora colombiana no Brasil. Ela foi destratada pela presidente que pensava tratar-se de uma funcionária da diplomacia brasileira.

Encerro o texto destacando um tema espinhoso. Se bravata e autopromoção são típicos do político profissional, a presidente demonstra mais uma vez que não integra o time. Sem alarde, nem promessas vãs, Dilma Roussef finalmente deu posse à Comissão da Verdade numa solenidade com a presença dos ex-presidentes e em que não faltou emoção. Os sete especialistas buscarão, segundo o script oficial, “esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos” e “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”. Para evitar conotações de revanchismo, ampliou-se o período de apuração para algo muito além do regime militar, abarcando fatos de 1946 a 1988. Mais uma iniciativa que fortalece o Estado e a sociedade, jogando luz sobre período sombrio de nossa história.

Eles bombaram na internet. Os irmãos Jéfferson e Suelen Barbosa fizeram rir e emocionaram o Brasil num vídeo caseiro, apresentando, do modo mais informal possível, o cântico evangélico Galhos secos (agora renomeado Para nossa alegria). Lançado na década de 1970 pela banda evangélica Exodos, o sucesso foi depois regravado por outros, entre eles o grupo Catedral.

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A letra é singela. Uma poesia que nos remete ao Criador. Fala de milagre, de ressurreição, transformação de um cenário árido, sem graça, em algo cheio de vida, um projeto maravilhoso do Eterno para nós. A melodia é agradável, simples, fácil de cantar. E a interpretação dos meninos – simples e despretensiosa – vale pela arte, não da música e sim do humor. Jéfferson e Suelen fazem caras e bocas, seguem tom e ritmo desencontrados. O agudo dele, então, é impagável. A tirada engraçada do irmão surpreende Suelen que cai na gargalhada, gerando um desconforto na mãe que logo se retira da sala.

Na rede, o sucesso da brincadeira dos irmãos Barbosa foi imediato. Da noite pro dia, gerou milhões de acessos ao vídeo de apenas 2 minutos e 31 segundos. Até os primeiros dez dias de maio, já eram mais de 15 milhões de visitas num dos clipes no youtube. Além disso, a performance suscitou muitas versões (como a imitação com os Simpsons e as de algumas galeras animadas). E, com tanto sucesso, os irmãos Barbosa, que são evangélicos, foram parar na telinha. Programas de TV os convidaram para dar entrevistas. Outros visitaram o doce lar dos jovens artistas. A exposição da família na TV confirmou as “suspeitas”: são pessoas simples, batalhadoras, simpáticas, criativas e, logicamente, em busca de boas oportunidades. O pai, com problemas sérios de saúde, está afastado do trabalho. A mãe segura o tranco das finanças da casa como auxiliar de faxina (sai para trabalhar de madrugada).

A rede mundial de computadores – muito já se disse a respeito – é pródiga tanto em luxo (mensagens de enlevo, com otimismo e arte, informações e estatísticas, paisagens e fotografias arrasadoras…) quanto em lixo (mau gosto, pornografia, boatos caluniosos…). Uma coisa, porém, a distingue da mídia em geral. Não é somente um grupinho seleto de produtores e programadores que decide o que vamos ver no recesso do lar. Qualquer um pode adicionar conteúdo – informações e imagens – que fica disponível aos internautas mundo afora. Foi assim que o fenômeno Justin Bieber começou a ser levado a sério pela indústria do entretenimento. Ancorando o interesse por ele, houve um trabalho prévio de postagem de vídeos na internet, milhares de acessos e seguidoras fiéis a cada show do até então estreante.

Não falta quem logo rejeite esses sucessos repentinos, negando-lhes autenticidade, falta de talento, de criatividade e pouco conteúdo. Cá não vou avaliar os irmãos Barbosa, nem especular sobre o futuro deles como artistas. Deixo essa tarefa para caçadores de talentos. Quero apenas destacar a bela figura que a família de evangélicos fez na esfera pública. E se o fez, houve uma base boa para isso. Parece tratar-se de família ajustada, que cultiva amor e respeito. A despeito da pobreza e do racismo a embaralhar os caminhos desses brasileiros, há uma preciosa auto-estima, fé e esperança que nos encantam. Podem até não ir muito longe como artistas ou destaques do show business, mas com fundamento tão valioso como esse, já têm meio caminho andado para vencerem na vida. Deus os abençõe!

Pra encerrar, deixo o link do vídeo original e também da nova performance deles alusiva ao Dia das Mães: http://youtu.be/RIM_zrNZqNc e http://youtu.be/WnYQYK94M80

O desafio é imenso. Resumir em 20 aulas a marcha dos cristãos na história: quase 2000 anos de fatos e versões; de empreitadas teológicas e movimentos místicos e litúrgicos, de comunhão e dissensão, de belos testemunhos e vergonhosos escândalos. Uma história fascinante e que tem muito a nos ensinar.

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O tema dessa classe de escola dominical, que divido com outros irmãos, atraiu-me. A história do cristianismo tem me fascinado desde a adolescência. Foi por essa época que li com bastante interesse a obra de Earle Cairns [O cristianismo através dos séculos; uma história da igreja cristã; Ed. Vida Nova]. Recordo que a leitura reforçou minha perspectiva protestante. Naquele tempo, faltavam-me elementos para desenvolver severa autocrítica. Hoje, tenho mais condições para tratar do assunto com menos parcialidade, um esforço maior de equidistância. Entendo que todo relato é parcial, que toda narrativa histórica tem interesses pontuados por motivações, nem sempre nobres. Da leitura dessa caminhada, destaco por ora três paradoxos (segundo o Aurélio, “contradição, pelo menos na aparência”) os quais examinamos abaixo.

1)      O surgimento da Igreja Católica: Uma crítica popularizada no meio protestante dá conta de que a Igreja Romana foi um desvio do cristianismo primitivo que levou a excrescências doutrinárias e litúrgicas – corrigidas pela Reforma do século XVI. Verdade? Em parte. Tal interpretação, no entanto, além de simplista, leva-nos a erro. O que tenho aprendido é que (i) a Igreja Primitiva teve seu próprio contexto, que não poderia ser reproduzido gerações após gerações, já que o contexto imediato está sempre evoluindo, de sorte que toda aquela experiência já não pode mais ser recriada; (ii) o surgimento da Igreja Católica foi uma necessidade histórica e trouxe imensa contribuição ao desenvolvimento do cristianismo: ajudou a preservar a doutrina e o cânon e a refutar movimentos heréticos; também conduziu a graves desvios; o saldo, portanto, é tão negativo quanto positivo; (iii) a possibilidade de se corromper ideais, valores e princípios da fé não está restrita a uma instituição tão-somente, é algo da condição humana; nossas igrejas protestantes também têm experimentado desvios seriíssimos.

2)      Um só rebanho: O ideal “para que eles sejam um, assim como nós” não é conversa mole de ecumênicos liberais. Ao contrário, foi o próprio Cristo que o expressou na oração sacerdotal (João 17: 11). Como outros ideais, deve servir-nos de farol, nunca de grilhão. Historicamente, o cristianismo nunca foi plenamente uma comunidade homogênea, de pensamento único (basta ver a séria polêmica entre judaizantes e gentios, já nos primeiros anos). Impossibilitados de realizar na história o ideal do rebanho único (entre os próprios evangélicos, isso não seria exequível), devemos ter, no entanto, uma postura de moderação e de abertura a irmãos que pensam diferentemente de nós. Isso, sem prejuízo do zelo pela sã doutrina e do respeito a nossa consciência. Haja paradoxo!

3)      Trigo e joio na mesma semeadura: Joio não é igreja, mas faz parte dela, e mais, ajuda a construí-la. Deus pôs o joio fora da alçada até mesmo da liderança da Igreja que pode disciplinar os faltosos, mas nunca definir quem é do trigal ou não. Cabe apenas ao Senhor da Igreja e, mesmo assim, no fim dos tempos, separar o joio do trigo. Enquanto isso, a gente vai convivendo lado a lado, e, por vezes, julgando no íntimo. Muito provavelmente, teremos fortes surpresas naquele dia. Quem julgávamos ser trigo é joio e quem apostávamos ser joio, veremos que é trigo.

E, assim, a Igreja prossegue sua marcha. Entre o visível e o invisível, o que é manifesto e o que está oculto, o simples e o mistério. Portanto, mais respeito e reverência com a Igreja, aquela de quem disse nosso Senhor (Mateus 16: 18): nem mesmo as portas do inferno podem a ela resistir.

Há 10 anos, a política de cotas para negros na universidade começou a fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros. Em 2002, o governo do Rio de Janeiro implantou a medida na UERJ. No décimo aniversário daquela iniciativa, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, por unanimidade, que o sistema é constitucional. Diferente do estardalhaço na mídia e em setores da sociedade, no STF, ela foi vista como consensual.

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O que estava em julgamento no Plenário do Supremo nos últimos dias 25 de 26 de abril era uma ação, impetrada pelo DEM em 2009, que alegava que o sistema de cotas da UnB, implantado em 2004, é inconstitucional. Argumentava-se que as cotas ferem preceitos da Carta Magna, como a igualdade e o caráter universal do direito à educação.
Em 2010, numa audiência pública no STF, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), à guisa de defender a iniciativa, saiu-se com algumas “pérolas”: líderes africanos seriam os principais responsáveis pelo tráfico negreiro já que participavam do “negócio” (haja simplismo) e as relações sexuais entre brancos e negras em vez de estupros, seriam algo consensual, como se consenso pudesse haver entre proprietário e sua propriedade (que era como o Direito tratava o escravo naquele período), gerando essa maravilha que é a diversidade racial à brasileira.
O julgamento revelou uma Suprema Corte à frente do Congresso e da própria sociedade. Os ministros, por unanimidade, votaram pela constitucionalidade da política de cotas da UnB, rejeitando a ação do DEM. Consideraram:
(1) que é adequada e vai proporcionar um ambiente acadêmico plural e diversificado (relator Ricardo Lewandowski); (2) que é a própria Constituição que impõe uma reparação aos negros (Luiz Fux); (3) que as cotas têm sido efetivas como correção de desigualdades concretas e para aumentar a representatividade social no contexto universitário (Rosa Weber); (4) que o sistema está de acordo com a proporcionalidade e a função social da universidade, como prevê a Lei suprema do país (Cármen Lúcia); (5) que, com a decisão, o Brasil remove uma política de exclusão em relação a parcela expressiva da população (Joaquim Barbosa); (6) que é notório o déficit educacional e cultural dos negros em razão de barreiras institucionais de acesso a fontes da educação (Cezar Peluso); (7) que se trata de uma ação afirmativa – e aplicação do princípio da igualdade (Gilmar Mendes; (8) que as cotas devem ser temporárias, enquanto persistirem as desigualdades (Marco Aurélio); (9) que o sistema é algo concreto na busca de realizações materiais previstas na Constituição (Celso de Mello) e (10) que a Lei maior legitima todas as políticas públicas para promover os setores sociais histórica e culturalmente desfavorecidos (presidente Ayres Britto).
Diante de resumo tão sucinto das considerações dos guardiães da Constituição, desfiar mais argumentos é como chover no molhado. Mas vale a pena destacar alguns desdobramentos.
Embora o julgamento tenha tido como objeto uma ação contra o sistema de cotas da UnB, a decisão favorece as demais universidades, federais e estaduais, que já adotam a medida – 130, nas contas do senador Paulo Paim (PT-RS). E ainda que a decisão não obrigue as universidades públicas que resistem à medida – como a Universidade de São Paulo – já que são autônomas para implementar ou não o sistema, o cerco pode se fechar, definitivamente, caso o Senado aprove o PLC 180/2008, que estabelece cotas para todas as instituições públicas de ensino superior e de ensino técnico de nível médio, e que ora tramita na Comissão de Constituição e Justiça. Suprema ironia: a autora do projeto é uma ex-deputada do DEM, hoje no PSD, Nice Lobão, da bancada maranhense.

No final de 1981, o tremendão Erasmo Carlos fez sucesso com a música Mulher na qual, dando um depoimento da experiência de casa, contesta aquela visão tradicional da mulher como sexo frágil. Constatei na prática a pertinência do que falou o afamado compositor da Jovem Guarda. Assino embaixo na letra da canção. Apenas um detalhe faz a diferença. É que na minha casa, diferente da música, somos três homens, “dependentes e carentes da força da mulher”.

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Pela primeira vez, passei um final de semana sem a companhia da esposa em casa. Embora eu já tivesse passado tempo maior em viagem, a trabalho ou estudo, ficar em casa sem a companheira é muito, muito estranho e chato. Quando ela me falou da intenção de participar de um encontro de mulheres – um acampamento, desses que começa na sexta à tarde e vai até a tarde do domingo – logo dei a maior força. Afinal de contas, volta e meia, cada qual precisa ter seu momento com Deus, à parte da rotina de sempre, e sem ter nada mais com que se ocupar a não ser com o próprio coração.

E o dia chegou e lá se foi a estrela do lar. E então tivemos que nos virar, eu e os meninos, sem ela, ela mesma que domina como ninguém os meandros de nossa rotina e da própria casa. Íamos sobreviver à ausência, sem maiores problemas? Bom, pedi arrego já no começo. Na primeira noite, liguei para ela. Tentei várias vezes, sem sucesso, até que ela me retornou. Era para localizar a carteira do Plano de Saúde do mais velho que faria exames no dia seguinte. Até que procurei por vários lugares, em vão. Não poderia mesmo encontrar a carteirinha. Estava na bolsa que a amada levou.

Pela manhã, fui com o garoto ao Laboratório, a dois quilômetros e meio de casa. Sem a carteirinha, compromisso de regularizar a situação na segunda pela manhã e assim ele fez os exames. Retornamos. Preparei um café para nós três. Deixei-os. Fui à academia. De volta, fomos a um almoço de família. Antes passei com eles numa loja para comprar um presente para a prima que aniversariava.

À tarde, depois de um pequeno repouso, encaminhei-os para estudar, como preparação para as provas de segunda-feira na escola. Tomei a lição do caçula. Realizei algumas tarefas domésticas. E tive outra vez mais uma noite sem aquele diálogo, sem aquela presença. O domingo foi mais leve, mesmo porque o regresso da amada era questão de horas ou minutos…Fui buscá-la por volta das cinco da tarde e foi aquela curtição e muito papo para atualizar os causos e situações das últimas 48 horas. Já de volta, ela até que estranhou a casa um tanto fora dos eixos. Bom, antes a casa do que seus moradores… Retomamos o sossego e a rotina. Rotina cansa? Pode cansar, mas faz falta. É bom retomá-la. Eu que o diga…

E foi assim que passamos um final de semana bem atípico. Darlene lucrou à beça, nós, também. Vimos de uma forma tão prática o quanto cada qual faz falta na rotina do outro. O quanto somos necessários nas mínimas e nas grandes coisas. Foi bom sentir saudade. Foi bom viver um período diferente da labuta diária de sempre e foi excelente a gente se reencontrar com mil e uma pequenas histórias para contar.

Pra encerrar, deixo o link para que, porventura, os mais velhos recordem e os mais novos conheçam Mulher, de Erasmo Carlos: http://youtu.be/R5xfhsmBm7Y

O pastor de igreja, presume-se, é alguém vocacionado por Deus e por Ele capacitado. A missão confiada é um privilégio muitíssimo especial. No dia a dia, porém, o ministério pastoral é uma carreira árdua para a qual vale a definição: são mais lutas do que glórias.

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Senti-me provocado pela matéria de capa do periódico Cristianismo Hoje, assinada por Marcelo Santos, sob o título Vocação em xeque; pastores que abandonam o púlpito enfrentam o difícil caminho da auto-aceitação e do recomeço (Ed.28 Ano 5, abril/maio 2012).
Sobre o Brasil, a matéria traz dados estatísticos preocupantes: (1) na Igreja do Evangelho Quadrangular, em 2011, a média de afastamento por mês foi de 70 pastores; (2) na Igreja Presbiteriana Independente, uma denominação de pequeno porte, quase 10% dos ministros registrados encontram-se de licença.
Nos EUA, a situação é igualmente grave. Uma pesquisa feita pelo Instituto Francis Schaeffer apontou que a cada ano, 1.500 pastores deixam o ministério da Palavra. Entre as principais causas da deserção figuram: desvios morais, esgotamento espiritual e conflitos na própria Igreja. Entre os pastores, a maioria, 57%, admitiu que deixaria o pastorado caso tivesse oportunidade, mesmo que fosse para um trabalho secular; e 40% informaram já ter tido casos extraconjugais.
Sinal dos tempos? Não duvido. A Bíblia adverte quanto ao esfriamento na fé, a apostasia e o egocentrismo militante – marcas da época precursora do juízo de Deus sobre o mundo. Do qual, aliás, nem a própria Igreja vai escapar. E, convenhamos, há muito o que se acertar com o Senhor da Igreja e da história…
Mas essa consideração não suprime outra que também precisa ser feita. Se reconhecemos que os tempos mudaram, o que, afinal, temos feito – como povo e liderança – para darmos maior e melhor suporte aos líderes de um modo geral e aos pastores em especial?
Como ponto de partida, proponho alguns caminhos: i) um investimento maior, e de qualidade, no bom ensino, na doutrina sã, nas Casas de profetas (seminários) e encontros e iniciativas que forneçam a melhor orientação ao povo de Deus e a seus líderes; ii) o reconhecimento, pela liderança e pela própria Igreja, de que pastores surtam, adoecem, têm crises existenciais e precisam ser tratados, ter um tempo regular para lazer, férias e período sabático; iii) a busca de modelos, de pastoreio e de liderança, descentralizados, cooperativos, criativos e que favoreçam o crescimento pessoal em vez de paradigmas autoritários, burocráticos, centralizadores e personalistas; iv) o apoio a um maior rigor e seriedade no incentivo às vocações bem como no exame de candidatos ao pastorado; afinal, o ministério da Palavra não pode ser visto como segunda ou mesmo última opção de trabalho.
Presumo que para as comunidades religiosas de maior “sucesso”, propostas como as enumeradas acima não façam sentido. Nada mais coerente. Afinal, tem-se popularizado um modelo de “pastor” sem formação teológica, com capacidades de comunicador e manipulador de auditórios (em especial no rádio e na televisão), com ética duvidosa e atrelada a objetivos pessoais. Essa trilha é suicida. Como sacrificar a submissão a Deus e a obediência a princípios e valores do Reino em favor de projetos equivocados?
Por outro lado, as propostas sugeridas não são fáceis, nem livres de obstáculos. Não obstante, devem ser buscadas a bem da saúde da comunidade. Os sucessos e o tempo necessário para a boa desenvoltura nesses caminhos vai depender de quão séria e preparada é a liderança e madura a comunidade.
A propósito, o Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas (MAPI-SEPAL) vem desenvolvendo um bom trabalho nesse campo. Que progrida e suscite novas iniciativas nessa perspectiva.

Durante a Quaresma – os 40 dias que antecedem a Páscoa – e muito especialmente na semana santa ou ainda mais especificamente na sexta-feira dessa semana, o cristão não deve comer carne, com exceção dos frutos do mar. Trata-se de tradição católica muito em voga no Brasil. A prática, aliada a jejuns e a abstinências diversas, serve como preparação do fiel para a vivência da paixão de Cristo – um período de reflexão e recolhimento espiritual.

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Como é sabido, os protestantes não seguem essa tradição. Admitem jejuns e abstinências, mas em contextos de períodos difíceis, batalha espiritual e busca de santificação, não se restringindo a épocas específicas do ano. Em minha família, nós nos sentíamos livres para comer carne vermelha e até mesmo o pescado na semana santa, sem nenhum problema quanto a isso.
Antigamente, deixei-me levar por uma visão bastante negativa dessa tradição católica. Hoje compreendo que nessa, como em outras observâncias de cunho religioso, o ponto mais importante não está exatamente em seguir ou não a tradição. Ora, tradições como essa são boas desde que (1) não contrariem manifesto princípio bíblico, (2) levem-nos a uma reflexão e a uma aproximação de Deus e (3) sejam vividas com alegria, seriedade e espírito voluntário.
A vivência da fé numa perspectiva de aprisionamento da alma, peso ou custo excessivo não abençoa o fiel. É um triste arremedo de exercício espiritual. Com isso, não quero dizer que no experimentar desses não caibam sentimentos ou atitudes como a tristeza, o pesar, o arrependimento ou a penitência. Ao contrário, eles são apropriados e têm seu momento. Podem ser acolhidos pari passu com uma perspectiva íntima de espontaneidade e regozijo.
Mas perdemos muito quando nosso esforço e expectativa concentram-se na vivência de atos externos, práticas e procedimentos rituais em detrimento de uma espiritualidade engajada de serviço a Deus e ao próximo no cotidiano. Numa perspectiva correta, a vivência daquelas práticas pode nos levar a pensar na relação com nosso Pai Eterno e nos fortalecer no caminho dEle, com Ele e para Ele.
A propósito, recordo a intervenção de dois líderes religiosos que me deixaram boa impressão inclusive pelo que conto aqui. Em anos diferentes, na mesma década de 1980, na capital do Maranhão, um arcebispo católico e um pastor batista comentaram a tradição romana da abstinência de carne na semana santa.
O arcebispo Dom Paulo Ponte, em entrevista à imprensa, foi confrontado com a situação de carestia que penalizava famílias de baixa renda. Era corriqueiro em São Luís, nos dias que antecediam a Páscoa, a alta dos preços do pescado e outros frutos do mar, seja em razão da lei da oferta e da procura, seja por simples esperteza dos comerciantes. O líder católico disse então que, não havendo condições de se comprar peixe, qualquer outra carne seria bem-vinda na mesa do católico. O importante era estar sintonizado com a fé e o espírito da paixão de Cristo.
Por sua vez, o pastor Eliezer, então à frente da Primeira Igreja Batista de São Luís, questionado por um repórter, disse que embora os batistas não seguissem a tradição de abstinência, deveriam ter o bom senso de não ofender a consciência de vizinhos e amigos católicos ostentando uma dieta liberada.
Assim, cada líder, a seu modo, fez ponderações que julgo sensatas e pertinentes sobre a vivência de uma tradição religiosa. Quando vemos que muitos se deixam levar por atitudes provocativas, esses exemplos mostram que o amor e o bom senso precedem a observância ou não de qualquer tradição.
Neste espírito, uma feliz páscoa para todos.

A queda do muro de Berlim e a derrocada do comunismo no leste europeu trouxeram uma lufada de otimismo e autoestima a povos que viviam sob o peso de regimes totalitários há pelo menos 40 anos. No Ocidente, uma das repercussões, além de mudanças drásticas nas esquerdas, foi o quase desaparecimento de uma figura até então muito frequente no campo dos movimentos sociais, o(a) comunista.

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Entre 19 e 30 de março, quem passasse pelo corredor de acesso ao Plenário da Câmara dos Deputados, ia se deparar com a exposição Partido Comunista do Brasil, 90 anos – Socialismo com a cara do Brasil. Em textos, fotos, áudios e vídeos, um pouco da trajetória do partido político mais longevo de nossa história. Em 1922, o Brasil já tinha anos de experiência com os movimentos sindical e anarquista. Imigrantes, em especial, italianos e espanhóis, tinham dado contribuição fundamental no enfrentamento de relações trabalhistas injustas e desumanas num país tão atrasado.
Não pude deixar de me emocionar com o registro de fatos e de gestos e iniciativas de pessoas que ajudaram a construir o consenso político que resultou nas conquistas da Era Vargas, no desenvolvimentismo dos idos de 1950 e 60 e na resistência à ditadura militar com a consequente reabertura política.
O PCdoB (já separado do PCB de Luís Carlos Prestes) foi a agremiação proscrita que apostou mais alto na luta armada para derrubar o regime militar, sendo responsável pela Guerrilha do Araguaia, a qual o Exército levou quase três anos (1972 -74) para debelar e que custou a vida a dezenas de jovens militantes, além de moradores da região e militares. Mas não vou deter-me nesses aspectos. Dados históricos e relatos estão disponíveis seja na internet ou em boas bibliotecas. O que me interessa aqui é fazer uma breve reflexão.
À parte, figuras escroques que existem em qualquer partido ou contexto, o(a) comunista, em linhas gerais, brilha pelo idealismo. Acredita numa sociedade igualitária, que virá após a extinção da luta de classes, resultado da revolução que levará o proletariado ao poder. O capitalismo – sistema econômico responsável pelas mazelas da humanidade – cairá de podre. A rigor, segundo a cartilha marxista, o comunismo não se concretizou em nenhum país. O que houve e ainda há (China, Coreia do Norte, Vietnã, Cuba e…) são regimes socialistas, ou seja, em transição para o fim do Estado e a emergência da sociedade igualitária.
Ao longo da vida, tenho convivido com militantes comunistas. Admiro-lhes o idealismo com alta dose de paixão, as convicções arraigadas e o conhecimento da história. Recordo a médica Maria Aragão, figura lendária do Maranhão, morta em 1991, a quem tive o privilégio de entrevistar. Regressando do Rio de Janeiro no final da década de 1940, já comunista, ela resolveu que não poderia “namorar livremente”, não por questões morais, mas para que a Causa não fosse difamada. Por isso, tratou logo de encontrar alguém para casar.
Uma forte preocupação ética e espírito solidário lado a lado com o ateísmo estão presentes no(a) comunista. Ao contrário da perspectiva cruel que perseguiu, torturou e assassinou milhões de pessoas sob regimes socialistas (aqui, não eximo o capitalismo, nem pretendo compará-los), o revolucionário comunista encanta a mim e a muitos pela busca da utopia o que implica estar disposto a pegar em armas. Che Guevara sintetizou o desafio: Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás.
Daqueles com quem convivi, a maioria não chegou a ser “testada”. Muitos abandonaram a militância, seja em razão dos eventos dos últimos decênios, seja em decorrência do avançar da idade. Em todo caso, os revezes do “processo revolucionário” deixaram o sistema capitalista com um cartaz todo que ele não tem. Falta-lhe concorrente à altura. Faltam militantes voluntários animados pela utopia.

O Dia Internacional contra a Discriminação Racial foi escolhido pela ONU em 1976. Homenageava, assim, as vítimas do massacre de Sharpeville, na África do Sul, ocorrido em 21 de março de 1960. Na ocasião, o regime do apartheid matou 69 negros e feriu quase 200 deles quando participavam de um protesto pacífico contra o uso de “passes” que os permitiriam circular nas áreas restritas aos brancos. Uma série de iniciativas marcou a passagem da data no DF este ano. Participei de uma delas.

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Na Câmara Legislativa, uma sessão solene reuniu militantes do movimento negro, deputados, representantes da sociedade civil e o embaixador do Egito no Brasil. Na sessão, foi entregue o título de cidadã  honorária de Brasília à militante negra Maria das Graças Santos. Conheci Graça há poucos dias quando fomos chamados ao gabinete do deputado Cláudio Abrantes para uma reunião preparatória do evento. Na saída, conversamos um pouco.

A família de Graça é de Floriano, no Piauí. Depois de migrar para Porto Nacional (então no estado de Goiás), veio a se estabelecer em Brasília. Inteligente e disciplinada, Graça voltou-se para os estudos. Foi aprovada no BB numa época em que, mais do que hoje, ingressar na instituição era uma proeza e tanto.

No final dos anos de 1970, participa do ressurgimento efervescente do movimento negro. Era uma militante a toda prova. Desdobra-se para ser mulher, mãe, funcionária e ativista aguerrida. Com outros companheiros de luta, funda a primeira entidade negra do DF, o Centro de Estudos Afro Brasileiros. Foi pioneira também do Movimento Negro Unificado, seção Brasília. Tem tido atuação qualificada em fóruns como o Conselho de Direitos Humanos do DF e o Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial.

Em 1992, já aposentada e formada em Psicologia, envereda pela iniciativa privada, abrindo um salão de beleza, o Afro n’zinga – Cabelo e Arte, atualmente no Shopping Venâncio 2000. Ao investir na área, Graça fez uma intervenção no mercado e na política. No mercado, porque trouxe opção para um segmento da população tradicionalmente esquecido, vítima da máxima racista de que cabelo bom é cabelo liso. Na política, porque, com a iniciativa, ajudou a fortalecer a autoestima de negros e negras, levando a sociedade a reparar os aspectos peculiares da beleza afro. Por essas e outras, é citada nos livros Quem é Quem na Negritude Brasileira, de Eduardo de Oliveira, e Mulheres Negras no Brasil, de Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil.

Além da homenagem a Graça, a solenidade foi ocasião para o lançamento em Brasília do livro A Legião Negra [Ed. Selo Negro, 2011], do jornalista e militante Oswaldo Faustino, de São Paulo. O romance histórico lança luz sobre a participação voluntária de negros e negras no movimento conhecido como Revolução Constitucionalista de 1932, contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Faustino vem de outros trabalhos literários, inclusive livros infantis.

Na sessão, também foi lançado o catálogo da primeira edição do prêmio Jornalista Abdias Nascimento, em 2011. Trata-se de uma iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, seção Rio, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, para premiar e estimular trabalhos com recorte racial. Seis categorias são contempladas: mídia impressa, televisão, rádio, mídia alternativa, fotografia, especial de gênero e internet. O nome do prêmio é uma homenagem a um dos gigantes do movimento negro brasileiro, falecido ano passado. Artista, jornalista e político (foi senador pelo Rio de Janeiro entre 1997 e 1999), Abdias é responsável por diversas iniciativas que fizeram história no Brasil como o Teatro Experimental do Negro que lançou muitos nomes na cena artística nacional.

O movimento negro tem uma pauta extensa de reivindicações. Algumas delas foram citadas neste 21 de março como a lembrar a todos que a luta continua. Graça que o diga.

Tempos atrás, a cantora Elis Regina “denunciava”: O Brazil não conhece o Brasil; o Brasil nunca foi ao Brazil. A canção Querelas do Brasil, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, é pobre em verbos, adjetivos, pronomes e advérbios, mas rica em substantivos, sobretudo os de origem indígena ou africana – marcas de um país profundo, diversificado, mas desconhecido da grande maioria dos brasileiros. O Brasil indígena é uma dessas realidades que precisamos conhecer.

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A música pode ser leve, mas o tema aqui é denso. O genocídio contra os povos indígenas teve início em meados do século XVI e, mais oficial que efetivamente, foi encerrado em 1910 quando o governo brasileiro criou o Serviço de Proteção ao Índio, por iniciativa do então major Cândido Mariano Rondon. O SPI funcionou por 57 anos, sendo substituído, em 1967, pela Fundação Nacional do Índio. A realidade, dramática e perversa, demanda, porém, medidas que vão muito além de estruturas burocráticas.

Não vou discutir aqui o quanto o termo genocídio aplica-se à questão indígena no Brasil. Há filigranas jurídicas que nem vale a pena suscitar. O fato é que o Estado e a sociedade têm responsabilidades para com os povos indígenas e não as vêm cumprind0 satisfatoriamente, o que resulta em mais mortes, discriminação e abandono.

No último dia 12, a Comissão de Direitos Humanos do Senado discutiu o fenômeno do suicídio na Ilha do Bananal, no sudoeste do Tocantins, em aldeias do povo Inã – mais conhecido como Carajás ( uso o primeiro termo já que o segundo é pejorativo). Foram 7 ocorrências em 2011 e 5, só nos dois primeiros meses deste ano. As vítimas são jovens. Afora aspectos de ordem espiritual e cultural – participantes disseram que, para os índios, os suicídios naquelas comunidades têm a ver com feitiço – as causas mais citadas foram o abuso de bebidas alcoólicas e drogas e a falta de perspectivas para a juventude.

Na audiência, um líder indígena lembrou um cacique daquela região, já falecido, que inspecionava o retorno, da cidade para as aldeias, de grupos de índios para verificar se não havia droga ou bebida escondidas. Se as encontrava, logo as destruía. Marcos Terena, da Cátedra Indígena Internacional, da ONU, cobrou respeito aos índios, participação política e mudanças na abordagem da questão indígena pelo Estado (sugeriu substituir a FUNAI por uma Secretaria com status de Ministério e chefiada por um índio).

O fato é que estamos em falta (Estado e sociedade) com os povos indígenas: quando não demarcamos suas terras, quando as invadimos ou permitimos invasões; quando não enfrentamos o assédio de exploradores e o comércio de álcool e substâncias entorpecentes; quando permitimos que recursos públicos sejam desviados ou desperdiçados; quando não cumprimos o dever constitucional em termos de saúde, educação e assistência social, quando não promovemos a imagem dos índios permitindo a produção e reprodução de estereótipos e preconceitos, o que reforça a baixa autoestima de comunidades já pressionadas pela condição de minoria marginalizada.

Mas chega de diagnóstico negativo. Trago à consideração o que pode nos animar na defesa dessa causa. Mais de 10% do território nacional são ocupados por tribos indígenas, espalhadas por 107 milhões de hectares. A população nativa cresceu de 306 mil, em 2000, para 817 mil, em 2010, quase 300%, (o que deve ser tanto resultado da melhoria das condições de vida em muitas aldeias como do aumento da autoafirmação (situação semelhante aconteceu com a população afrodescendente nos últimos anos). São mais de 220 povos e quase 200 línguas. Há presença indígena em todos os estados e no DF. São 4.774 em áreas de 438 municípios. Centenas deles já chegaram à universidade.

Que as conquistas não sirvam para silenciar o fato de que temos uma dívida histórica com os povos indígenas. Tudo o que fizermos por eles ainda será pouco.